
Partidos do Centrão estão reavaliando a relação com o Partido Liberal (PL) diante das articulações para a escolha dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal em 2027. O movimento envolve negociações para apoiar a permanência de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no comando das duas Casas legislativas.
Embora União Brasil, PP e Republicanos tenham apoiado Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, dirigentes dessas legendas indicam que a aliança eleitoral não representa um compromisso automático de apoio ao PL nas disputas internas do Congresso.
O objetivo dos partidos de centro é preservar sua participação na estrutura de poder do Legislativo e manter espaço de negociação com o governo federal, independentemente das alianças estabelecidas durante a campanha presidencial.
Na Câmara dos Deputados, a articulação pela recondução de Hugo Motta ganhou força com a declaração de apoio da federação formada por PT, PCdoB e PV. A composição reúne partidos que, somados, ampliam a base parlamentar favorável à permanência do atual presidente da Casa.
O apoio, entretanto, está condicionado à composição do bloco político. A federação petista sinalizou que poderá deixar o grupo caso o PL e o Novo passem a integrá-lo.
A posição aumenta o desafio de Motta, que precisa conciliar os interesses de partidos de centro e de esquerda com a pressão do PL por maior participação nos espaços de poder da Câmara.
O PL elegeu 121 deputados federais para a próxima legislatura e deverá contar com a maior bancada partidária da Casa. Apesar do peso numérico, o partido não tem votos suficientes para eleger sozinho o presidente da Câmara, o que torna as alianças com outras legendas fundamentais.
Além de discutir a presidência da Câmara, o PL pretende ampliar sua participação nas comissões permanentes, especialmente em colegiados estratégicos para a tramitação de propostas e a fiscalização do governo.
Entre os espaços considerados relevantes estão a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.
A distribuição dessas comissões costuma levar em conta o tamanho das bancadas e acordos firmados entre os partidos. Por isso, as negociações para 2027 deverão envolver tanto a escolha do presidente da Câmara quanto a definição dos cargos de liderança e dos comandos dos colegiados.
Para o Centrão, o desafio será preservar sua influência sem romper as pontes com o PL, que ampliou sua representação parlamentar.
No Senado Federal, a disputa também envolve a tentativa de reeleição de Davi Alcolumbre. A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, declarou apoio à permanência do senador no comando da Casa.
A decisão interfere nas articulações da oposição, que avalia a possibilidade de lançar Rogério Marinho (PL-RN) para disputar a presidência do Senado. O PL marcou uma reunião para 4 de novembro a fim de discutir a estratégia.
Uma das questões em debate é a possibilidade de construir uma candidatura alternativa capaz de reunir os votos de diferentes setores da oposição. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também foi citada nas articulações anteriores, mas o apoio de sua federação a Alcolumbre altera o cenário das negociações.
O atual presidente do Senado conta com apoio declarado de partidos de diferentes orientações políticas, mas ainda precisa reunir votos suficientes para garantir a recondução.
O crescimento do PL nas eleições de 2026 ampliou o poder de negociação da legenda no Congresso. O partido deverá iniciar a próxima legislatura com 121 deputados federais e 28 senadores.
Mesmo com as maiores bancadas partidárias nas duas Casas, o PL precisará de apoio externo para eleger os presidentes. Na Câmara, são necessários pelo menos 257 votos; no Senado, a eleição exige 41 votos.
Esses números tornam os partidos de centro peças importantes nas articulações. A definição das presidências dependerá de acordos que podem envolver distribuição de cargos, participação nas comissões e convergências em torno da agenda legislativa.
As negociações devem continuar nas próximas semanas, enquanto as legendas definem suas estratégias para a abertura da nova legislatura, em fevereiro de 2027.
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